De que forma os Digital Twins ajudam na manutenção preditiva ou no acompanhamento do desempenho das fachadas e sistemas de sombreamento?
Os digital twins da Reynaers, sob a marca DigiTrace, são acessíveis por um código QR único integrado em cada janela, porta ou fachada. Assim, a manutenção torna-se significativamente mais acessível, simples e eficiente. Através deste identificador digital, é possível aceder de forma imediata e transparente a todos os dados do sistema informações técnicas e de desempenho do elemento específico instalado.
Esta funcionalidade permite que todos os intervenientes — desde o utilizador, arquitetos, fabricantes, instaladores e empresas de manutenção — acompanhem facilmente o histórico, ao longo do seu ciclo de vida.
Adicionalmente, a plataforma possibilita o registo de notas e observações diretamente associadas a cada elemento, permitindo centralizar, atualizar e conservar toda a informação relevante num único ponto de acesso digital.
Numa fase posterior, os EPDs (Declarações Ambientais de Produto) também estarão disponíveis através do DigiTrace, reforçando o compromisso da Reynaers com a transparência e a sustentabilidade. Esta integração permitirá que todos os utilizadores consultem, de forma rápida e fiável, os dados ambientais dos produtos, promovendo uma gestão mais informada e responsável dos edifícios.
Que cuidados ou requisitos de segurança e privacidade consideram na gestão dos dados gerados pelos Digital Twins?
A segurança e a proteção de dados são princípios fundamentais na gestão da informação gerada pelos nossos digital twins. O DigiTrace foi concebido desde a origem para cumprir integralmente o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD), garantindo que nenhum dado pessoal é armazenado ou tratado sem base legal.
Apenas os fabricantes têm acesso aos dados pessoais e de contacto dos clientes finais, e sempre no estrito cumprimento do acordo contratual estabelecido entre ambas as partes. Esta estrutura assegura que o controlo e a utilização da informação se mantêm claros, transparentes e devidamente limitados.
Paralelamente, os servidores que alojam os digital twins e toda a informação associada são configurados segundo padrões elevados de segurança, com medidas robustas de proteção física e digital. Estas incluem encriptação de dados, gestão controlada de acessos e monitorização contínua para evitar tentativas de intrusão.
Como a Reynaers integra modelos BIM dos projetos com os sistemas de fabrico? Que ganhos práticos já observaram, por exemplo, em redução de erros ou otimização de processos?
Atualmente, os modelos BIM (Building Information Modeling) ainda não estão integrados de forma standard no DigiTrace. No entanto, estão disponíveis para download gratuito no website da Reynaers Aluminium, permitindo que arquitetos, projetistas e fabricantes os utilizem livremente nas suas fases de conceção e planeamento.
Os modelos BIM, disponibilizados em formato IFC, podem ser facilmente importados para o ReynaPro, o sistema CPQ (Configure, Price, Quote) da Reynaers. Esta integração oferece aos fabricantes a possibilidade de enriquecer o modelo fornecido pelo arquiteto com informação técnica detalhada — como configurações específicas de perfis, ferragens, desempenho térmico e acústico, entre outros parâmetros — garantindo assim a perfeita correspondência entre o projeto digital e a solução real a fabricar.
Quando um projeto o exige, o fabricante pode ainda carregar o modelo BIM diretamente no digital twin associado a cada elemento, tornando-o acessível através do código QR DigiTrace. Desta forma, qualquer interveniente no processo — seja arquiteto, construtor ou cliente final — pode visualizar o modelo 3D atualizado simplesmente ao digitalizar o código QR no produto instalado.
O próximo passo na evolução do DigiTrace será a ligação automática entre o modelo BIM e o digital twin, criando um ecossistema totalmente integrado e dinâmico.
Esta funcionalidade encontra-se já prevista na estratégia de desenvolvimento da Reynaers e estará em conformidade com o novo Regulamento dos Produtos de Construção de 2027, que reforçará os requisitos de rastreabilidade e digitalização no setor da construção.
Utilizam RA em processos de montagem ou inspeção? Podem partilhar exemplos concretos de tempo poupado ou redução de erros?
Durante os processos de fabrico e montagem, a Realidade Aumentada (RA) ainda não é utilizada pela Reynaers Aluminium. Reconhecemos o seu potencial para acrescentar valor no futuro, mas privilegiamos, acima de tudo, a simplicidade e a eficiência operacional para o fabricante, serralheiro de alumínio. Por isso, mantemo-nos numa fase experimental, garantindo que a eventual implementação desta tecnologia apenas ocorrerá quando o processo estiver totalmente otimizado e não introduzir complexidade desnecessária.
Contudo, a Reynaers já explora tecnologias imersivas na fase de projeto e conceção, através de Avalon, a nossa sala de Realidade Virtual. Este espaço permite visualizar e avaliar projetos em escala real antes do início da construção, com modelos 3D foto realistas que facilitam a colaboração entre investidores, arquitetos, fabricantes e construtores.
Avalon possibilita ainda a análise de aspetos técnicos complexos — como ligações construtivas ou deteção de interferências — e a simulação de condições ambientais, como a incidência solar ou o fluxo de ar, permitindo decisões mais informadas e seguras desde as fases iniciais.
Que desafios encontram na interoperabilidade entre BIM, Digital Twins e sistemas de produção?
O digital twin da Reynaers Aluminium está totalmente integrado no processo de produção. O DigiTrace foi desenvolvido para permitir que, com o mínimo esforço, os fabricantes, nossos parceiros, associem o código QR físico ao modelo digital correspondente, garantindo uma ligação direta e eficiente entre o produto real e o seu registo virtual. Durante o desenvolvimento da plataforma, um dos principais desafios foi assegurar que esta integração não introduzisse qualquer atraso na fabricação — um objetivo que conseguimos alcançar com sucesso.
De forma mais ampla, a interoperabilidade entre BIM, digital twins e sistemas de produção continua a ser um desafio técnico e organizacional. Diferenças de formatos, ausência de normalização e barreiras humanas. Atingir a maturidade tecnológica exige colaboração contínua entre todos os intervenientes.
A Reynaers tem procurado ultrapassar as barreiras através de soluções como o DigiTrace, concebidas para conciliar a rastreabilidade digital com a eficiência da fabricação, reforçando a integração entre o mundo físico e o digital na construção.
Que indicadores ou métricas utilizam para medir o retorno de investimento (ROI) na aplicação de Digital Twins na envolvente do edifício?
Na Reynaers Aluminium, a avaliação do retorno do investimento (ROI) associado aos digital twins na envolvente do edifício vai além das métricas financeiras tradicionais. O verdadeiro valor do DigiTrace reflete-se em dois indicadores fundamentais: a proximidade com o cliente e a capacidade de recolha e utilização de dados para melhoria contínua.
O primeiro indicador reflete o compromisso da Reynaers em desenvolver soluções que simplificam e acrescentam valor ao trabalho dos seus parceiros, traduzindo-se num ROI tangível expresso pela solidez das relações de longo prazo com os nossos clientes. O DigiTrace permite que fabricantes e instaladores partilhem facilmente documentação técnica e certificações com consumidores finais ou outros intervenientes — como o rótulo CE, manuais de manutenção ou dados de desempenho — poupando tempo, reduzindo erros e reforçando a confiança e colaboração, pilares centrais da missão da empresa.
O segundo indicador centra-se na recolha e análise de dados reais de utilização, como dimensões, contextos de aplicação e condições de utilização, que permitem melhorar o design e o desempenho futuro dos produtos. Esta abordagem orientada por dados promove uma inovação mais eficiente e sustentável, alinhada com as necessidades do mercado.
De forma transversal, o DigiTrace materializa o compromisso da Reynaers Aluminium com a “Sustentabilidade de todos os ângulos” —que considera o pilar da inovação, da rastreabilidade e da responsabilidade ao longo de todo o ciclo de vida do produto. Através da digitalização e da transparência dos dados, otimizam-se recursos, prolonga-se a durabilidade das soluções e promove-se uma construção mais informada, eficiente e responsável.
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Esta artigo foi originalmente publicada na revista Novo Perfil