Sistemas de Caixilharia Corta-Fogo: a sua importância na segurança contra incêndios em edifícios

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Publicado originalmente na Perspectivas n.º 28 da ANFAJE 

Os sistemas corta-fogo têm uma função determinante para a preservação da segurança de pessoas e bens nos edifícios. Da qualidade dos sistemas e subprodutos aplicados, bem como da transformação e aplicação por quadros devidamente formados e qualificados, no cumprimento dos regulamentos e normas aplicáveis, depende a eficácia destes sistemas de segurança passiva nos edifícios.

Palavras-chave: Corta-fogo, qualidade, normas, formação, segurança

Numa situação de emergência, em que um edifício está em chamas, é determinante a eficácia dos sistemas de protecção anti-incêndio, activos e passivos, para evacuação controlada dos utilizadores desse edifício. A falha na protecção dos caminhos de evacuação não garante a segurança tanto das pessoas que tentam sair, como de bombeiros e outras equipas de emergência que tentam socorrer e controlar a propagação desse foco de incêndio.

Numa outra perspectiva e nível de prioridade, pode ser crítico para a segurança de determinados equipamentos, conter ou proteger compartimentos de focos de incêndio, como por exemplo salas com equipamentos informáticos sensíveis como servidores ou outros equipamentos ou bens sensíveis que careçam de especial protecção como documentos históricos ou peças de arte.

Assim, a compartimentação vertical (entre pisos) ou horizontal (entre salas adjacentes) serve para a segurança de equipamentos e pessoas, salvaguardando a evacuação e a propagação controlada.
É igualmente crítica a questão dos sistemas de alarme e desenfumagem, muito embora não sejam o foco do tema presente.

Importa igualmente referir que a “resistência ao fogo” e a “reacção ao fogo” não significam o mesmo.

Um sistema corta-fogo resiste ao fogo e a temperaturas elevadas durante um período de tempo finito. Todos os materiais existentes têm uma reacção ao fogo alimentando a combustão ou sendo inertes a esta.

O Decreto de Lei 220 de 2008 define as utilizações tipo e as categorias de risco destas utilizações. As utilizações tipo são: I - habitação, II - estacionamento, III - administrativos, IV - escolares, V - hospitalar e lar de idosos, VI- espectáculos e reunião pública, VII - hoteleiros e restauração, VIII - comerciais e gares de transporte, IX - desportivos e de lazer, X - museus e galerias de arte, XI - bibliotecas e arquivos, XII - industriais, oficinas e armazéns. Já as categorias e os riscos associados são quatro: i) risco reduzido; ii) risco moderado; iii) risco elevado; iv) risco muito elevado.

Para este tema a contribuição dos sistemas de janelas, portas e fachadas desenvolvidas, produzidas e instaladas pelas empresas associadas da ANFAJE, é de especial importância. Assim, vamos debruçar-nos sobre as particularidades que deveremos ter em consideração.

Os sistemas de caixilharia (normalmente, aço e alumínio) corta-fogo podem ser de diferentes tipos: painéis translúcidos (vidro) ou opacos (compósitos específicos). Podem ser vãos fixos ou móveis (permitindo abertura).

Podem ser feitos com sistemas de batente ou fixos, cujo envidraçado seja aplicado pelo interior do edifício ou em fachadas cortina, cujo envidraçado seja aplicado pelo exterior do edifício.

No caso de portas corta-fogo deve salientar-se, igualmente, a importância dos sistemas de ferragem: molas e retenção para garantir o fecho em caso de incêndio. Portas corta-fogo abertas não permitem efectuar a sua função principal e carecem destes sistemas de fecho automático e/ou de retenção quando não é necessário que estejam fechadas.

Deve-se, igualmente, referir a importância que têm os enchimentos (vidros ou painéis) corta-fogo na eficácia da funcionalidade destes produtos, bem como as selagens periféricas entre os vãos e o suporte estrutural onde estes são assentes. Na questão da selagem é fundamental salvaguardar o espaço necessário para a expansão térmica dos elementos dos vãos perante a acção do fogo. Ao mesmo tempo é necessário garantir, por um lado, a selagem térmica eficaz das infiltrações de água e ar, por outro, a sua durabilidade perante o uso às acções mecânicas e químicas de limpeza e/ou de envelhecimento aos agentes atmosféricos ou ambientes corrosivos.

Assim, os vidros/painéis e as selagens são de especial importância no funcionamento total do sistema de caixilharia para garantir a sua eficácia, devendo ser utilizados os produtos aconselhados pelos detentores de sistemas, já que esses são aqueles que contribuíram para os resultados dos ensaios de tipo inicial (Marcação CE) que caracterizam os desempenhos declarados dos sistemas comercializados.

Estes desempenhos são declarados de acordo com as normas de classificação aplicáveis e vulgarmente denominadas por Euroclasses. Para a caixilharia são utilizadas frequentemente as Euroclasses E (estanquidade às chamas e a gases quentes); I (isolamento térmico); W (radiação); S (passagem de fumo), normalmente acompanhadas pelo tempo a que o sistema caracterizado em concreto resiste nessa Euroclasse, isto é 15, 20, 30, 45, 60, 120, 240, 360 min. Assim, é normal encontrar sistemas de caixilharia com classificação do tipo EI30 ou EI60 ou mesmo EW30 para sistemas de resistência ao fogo ou pára-chamas e também S200 ou Sa para soluções impermeáveis ao fumo.

A reacção ao fogo dos diversos materiais que constituem a normal paleta de materiais usados na construção foi tipificada pela decisão 96/603 da Comissão Europeia e é transversal a todos os materiais, salvo ensaios específicos para materiais não detalhados ou com características específicas. Um exemplo, são os polímeros que como o EPDM ou PVC, que devido às suas características singulares, devem evidenciar os seus comportamentos típicos como a produção de fumo e a queda de gotas ou partículas inflamadas ou mesmo a sua contribuição para a combustão.

No fabrico de sistemas de caixilharia corta-fogo há cuidados específicos a ter com os componentes utilizados.

O primeiro desses cuidados é que o fabricante garante que os produtos que está a utilizar sejam adequados para a aplicação em soluções corta-fogo, seguindo estritamente as instruções do detentor do sistema e de acordo com os ensaios de tipo inicial efectuados por este, nos laboratórios acreditados para o efeito.

As fitas intumescentes, os agentes de arrefecimento, as juntas periféricas, as fixações (em número e tipo) e a funcionalidade das ferragens são todos factores críticos para garantir que a resistência ao fogo é a expectável e reproduz, sem excepção, o comportamento testado.

As selagens e protecções dos elementos de ferragem devem salvaguardar a corrosão precoce devida a humidades em livre circulação. O uso de aços correntes para os parafusos de fixação, em detrimento de aço inoxidável, de acordo com as recomendações dos fabricantes, poderá levar à falha e degradação precoce, especialmente tendo em consideração o uso de materiais básicos de enchimento e arrefecimento.

Um dos pontos críticos a ter em conta, é a indicação das dimensões dos vãos corta-fogo, nomeadamente a altura e largura de vãos e de panos de vidro. É necessário ter em conta se as medidas excedem as que estão mencionadas nos ensaios efectuados. As tipologias disponíveis também se restringem às que foram ensaiadas pelo detentor de sistemas e a sua funcionalidade não deve ser comprometida.


As ferragens e dispositivos de retenção, fecho e manobra aplicadas, também devem ser apenas, os que foram testados e evidenciados, sob risco de o comportamento geral do sistema ser ineficaz. A limpeza e manutenção dos sistemas de ferragem carece de uma especial atenção para garantir a protecção dos corredores e compartimentos.


Por último, não será demais referir que sem operadores de fabrico e montagem ou instaladores devidamente capacitados e formados, nunca será possível garantir que os desempenhos declarados serão efectivamente atingidos. Por este motivo, é de extrema importância a sua formação e devido acompanhamento por parte da empresa detentora dos sistemas. […]


A 2ª parte do artigo será publicada na próxima newsletter da ANFAJE (n.º 29).

 

Pode ler aqui o nº 28 da Perspectivas da Anfaje

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