A pandemia que acelerou o setor

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2021 está a ser um ano totalmente inesperado. Quando em 2020 preparávamos o budget para este ano, estava longe de adivinhar que 2021 seria um ano tão notável, quer em volume de negócios, quer em carteira de encomendas. É, aliás, uma tendência que penso transversal no setor. Ao nível de negócio, o grande desafio para 2022 vai ser transformar o pico em planalto… um desafio para o qual olho com muito respeito.

É com muito orgulho que comento com os meus colegas de outros mercados onde operamos que o que aconteceu em Portugal foi absolutamente incrível. Depois do choque inicial em março/abril 2020, as empresas rapidamente reagiram e, num movimento transversal a todos os operadores, não deixaram o setor parar. Pelo contrário: reinventou-se, digitalizou-se, adaptou-se, cresceu. Se 2021 está a ser um ano incrível é a esta resiliência generalizada das empresas que o devemos. E, mais ainda, a todos os profissionais que fintaram as adversidades ao nível de hábitos, condições e volume anormal de trabalho.

Provas dadas de resiliência, o setor precisa agora de trabalhar em conjunto para conseguir mais e melhor das entidades reguladoras. Ao nível de produto, a pandemia fez por nós o que nada mais podia fazer em tão curto espaço de tempo: acentuou as tendências para o conforto térmico e acústico, para a qualidade do ar interior, para a experiência de utilização de varandas e terraços e para digitalização da indústria, tudo eixos em que somos historicamente fortes. É com humildade que digo muitas vezes que tenho ‘a sorte de ter os melhores produtos e equipa do mercado’. Agora, em Portugal, estamos focados em vencer a perceção que a Reynaers é apenas para alguns projetos. É verdade que somos reconhecidos como especialistas no segmento premium e de soluções por medida mas temos gamas de produto especificamente para o segmento médio, que queremos e podemos servir, e que tanto é preciso em Portugal.

Contudo, tem faltado clarividência a quem regula. Os fundos no âmbito do Green Deal são disso bom exemplo. Continuo sem perceber porque é perpetuada a ideia, em particular no que respeita a janelas, que eficiência térmica é o mesmo que sustentabilidade. Nada mais errado. A sustentabilidade é eficiência térmica e é muito mais. Do meu ponto de vista, é preocupante perpetuar esta mistura de conceitos.

Questões como o impacto ambiental de materiais derivados de petróleo, a economia circular, o tempo de vida útil e as necessidades de manutenção, não podem ser alheias a este tipo de programas e incentivos sob a chancela da sustentabilidade. Depois, há outro aspeto muito racional e prático: é a nossa classe média que conseguirá suportar renovações de fundo ao fim de alguns anos para manter o comportamento térmico e funcional das janelas? É o investidor que cria habitação para arrendamento mais acessível que o terá de fazer? Ou opta-se por não fazer nada e voltar ao que estávamos?

Tenho dois grandes desafios para 2022: estabilizar o pico de negócio deste ano e dar voz pela sustentabilidade de facto.

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