DESIGN TRANSFORMADO

DESIGN TRANSFORMADO

A inovação de hoje pode tornar-se a necessidade de amanhã. As tecnologias inovadoras de design na arquitetura e especificação estão a progredir a um ritmo acelerado. Como é que a tecnologia tem impacto nas práticas de trabalho e nas relações com os clientes e como irá influenciar o futuro da conceção arquitetónica?

Há um século atrás, o telefone terá parecido uma invenção desafiante. Rapidamente e até 2017 os telemóveis são comuns, como estamos totalmente dependentes de experiências digitais interativas em todos os aspetos da nossa vida: encomendar comida, fazer transferências bancárias ou video-chamadas para as nossas famílias.

Quando as indústrias se agarram a estas inovações, podem mudar drasticamente a forma como funcionam. A tecnologia muda não só a forma como os profissionais fazem as coisas, mas também o que fazem, porque abrem possibilidades anteriormente impensáveis.

A caneta e o papel provavelmente nunca serão substituídos inteiramente pelos arquitetos, mas o desenho assistido por computador (CAD) é agora uma parte normal da vida profissional de muitos arquitetos. A difusão da modelação da informação de construção (BIM) tem sido parte desta evolução, com a mais recente introdução da realidade virtual (RV) a levar as coisas um passo mais à frente.

 

Cronograma da tecnologia

Adotar a inovação

Vendo a forma como os avanços da tecnologia mudaram as práticas arquitetónicas nas últimas décadas, foi o CAD que primeiro substituiu a mesa de desenho e permitiu aos arquitetos criar ilustrações 2D precisas e modelos técnicos 3D utilizando computadores. Isto deu-lhes a capacidade de criar e manusear conceitos de desenho com mais facilidade e eficiência do que nunca.

Embora a sua conceção tenha sido por volta da mesma altura da década de 1960, demorou muito mais tempo para que o BIM fosse apurado e amplamente adotado na última década. Quando utilizado na sua plenitude, o BIM permite a toda a equipa de construção trabalhar a partir de um modelo virtual de um edifício, testar alterações e inovações, e depois decidir sobre uma abordagem que pode ser seguida de forma consistente por todos os envolvidos.

O BIM é um exemplo de como a tecnologia se pode adaptar. foi concebido para ajudar a colaboração entre profissionais, mas também permite a um cliente ter uma melhor percepção de como será o seu edifício.

Dimensões transcendentes

A realidade virtual (RV) é uma das inovações mais recentes a chegar e que pode contribuir de alguma forma para enfrentar os desafios enfrentados pelos arquitetos. Esta tecnologia é um meio de desenvolver ainda mais as práticas de design e permitir aos parceiros do projeto ‘testar’ o edifício ainda em fase de preparação. E a inovação ainda agora começou

“A REALIDADE VIRTUAL PROPORCIONARÁ EXPERIÊNCIAS PRATICAMENTE REAIS DO EDIFÍCIO ANTES DE CHEGAR AO LOCAL, EXPLICANDO OS ESPAÇOS INTERIORES AOS UTILIZADORES FINAIS E CONTORNANDO A VELHA QUESTÃO DO 'NÃO PENSEI QUE FOSSE ASSIM”

A RV será também, eventualmente uma aposta dos arquitetos de formas que atualmente não conseguimos prever, tal como aconteceu com as inovações anteriores. Já à frente desta tendência, a Reynaers criou uma sala de realidade virtual, Avalon, na sede belga, para mostrar o que a tecnologia imersiva pode fazer. Ao utilizar esta sala, os conceitos iniciais podem ser mapeados e os modelos 3D visualizados de perto para explorar questões técnicas, variantes de design e a experiência de utilização. Benéfico não só para as empresas que desejam impressionar os clientes com um serviço vanguardista, é um processo prático que combina uma série de ficheiros complexos de forma a chegar a um consenso geral de um projeto a todos os níveis. Esta tecnologia não substitui o BIM, mas revoluciona as fases de planeamento e ajuda a evitar conflitos e custos que surgem de mal-entendidos ou aspectos que não foram ponderados de forma profunda.

Estimular o design

A indústria da construção continua a inovar e a mudar tanto a forma como os edifícios são concebidos como a forma como são construídos.

A tecnologia está a permitir aos arquitetos projetar edifícios livres das restrições anteriores e a olhar com outros olhos o que parece impossível. A utilização de computadores está a permitir aos projetistas criar projetos cada vez mais curvos e expressivos com formas menos regulares. Edifícios ‘livres de formas’ tais como os concebidos pela falecida Dame Zaha Hadid tornar-se-ão mais generalizados e chegarão à habitação.

À medida que os projetos se tornam mais complexos, seguem formas menos tradicionais e se revolucionam, aumenta a necessidade de os mostrar claramente aos clientes, projetistas e habitantes.